domingo, 22 de fevereiro de 2015

dissabores *





todos temos. quem não. e quem não, por certo os há de ter, e muitos. falo de cátedra. porém, por mais fútil que possa parecer, entre os muitos que tive, e olhe que não foram poucos, poucos se comparam ao de sentir que o gostinho do toddy mudou. ali compreendi que não haveria mais criança em mim e sabe-se lá que adulto sensaboria viria ser.

dizem às más línguas que as pesquisas determinaram um novo sabor. mas como? se ninguém me perguntou nada. talvez porque se sim, ouviriam um sonoro não. pra que mudar um gosto de vida assim, num lamber de beiços, só porque algum engravatado(à época) teve a infeliz ideia de propor a mudança, por motivos de que somente alguém que teve uma mãe que por certo não lhe deu toddy haveria de achar? que saberia este sujeito de toddy? e do que aquilo significava para nós? nada. não sabia nada. e foi um nada que nos deixou com o gosto de nada na boca que jamais voltaria ser do toddy que tanto amávamos.

ah! você acha então que eu estou exagerando? que não passo de um adulto sentimental que fica chorando pelo toddy derramado? então vai conversar com a turma que tomava ovomaltine e de súbito se viu sem o sabor suíço que era "puro malte". mas não diga que é um cara ou uma cara da pesquisa. o risco de ficar sem sentir sabor é imenso. brutal? bom, foi o que fizeram com a gente. sem dó nem piedade. deram um nó na nossa garganta, a tal ponto, que falou em achocolatado, eu engulo em seco. e nada mais que que se compare ou pareça com toddy desce. 

o certo é que, alguns dissabores a gente esquece. outros, morremos com eles atravessados na garganta.

p.s. felizes foram os putos(as crianças) de portugal. lá o sabor do toddy que valia a pena resistiu até os anos 90. quando lá fui, e lá morei, antes do vinho, e de qualquer outra coisa, bebi todo o toddy que podia até não poder mais. uma overdose de toddy que durou anos e anos. até mesmo quando voltei ao brasil carregado de toddy nem um pouco preocupado em ser pego pela fiscalização. o problema é que fui. e na minha cara vi um sujeito da tal fiscalização pegando a lata com olhos marejados e dizendo, anda passa, vai em frente, como se não houvessem dezenas dela nas minhas malas. passei. e fui-me embora. não sem antes, separar algumas latas, e com um bilhete deixá-las para serem entregues ao tal funcionário. creio que assim não haveria risco de alguém dizer que subornei a fiscalização. afinal, passara e nada foi combinado. no bilhete estava escrito: - nestas não há coleção de índios. tinha certeza absoluta que ele saberia do que estava tratando. e assim, mais um sabor juntar-se ia ao meu dissabor que por alguns anos foi dissipado em goles e goles intermináveis do "sabor que alimenta" meus bons gostos até hoje, apesar do enorme dissabor do acontecido. tal como os índios, eu e o tal cara da fiscalização, fomos derrotados pela ferocidade da sede de lucros do homem branco cujo sabor que sacia por certo não é do toddy de antigamente.


* originalmente publicado no misterwalk.blogspot.com